Cavaleiros e Bárbaros - sessões de 7 e 14 de maio de 2016

O REGENTE
Ausente o Rei em mais uma de suas frequentes viagens, é Ykoll quem distribui a justiça na cidade às margens do lago. O soldado julga entediante ouvir reclamações de vizinhos, denúncias de contratos não cumpridos, dívidas não pagas e crimes, mas cumpre a tarefa empregando o melhor de seu discernimento.
Vai pelo meio o inverno e naquela manhã fria, entre os suplicantes destaca-se a comitiva de algum importante visitante vindo de outras terras. As coroas, mantos púrpuras e cotas de malha fazem adivinhar uma família de nobres.

O ALTAR PARTIDO E O PEDIDO DE AJUDA
Também está presente o feiticeiro Bakar, que traz notícias de mal agouro sobre a profanação do altar de Aegir, senhor do mar, e sua esposa Ran, protetora dos afogados. Diz o bruxo que a agitação do mar e do vento refletem a cólera dessas divindades desrespeitadas e, em nome delas, ele vem cobrar a reparação do santuário e o sacrifício de uma vida.
O pedido é atendido, mas antes que se ultimem quaisquer preparativos, os estrangeiros fazem uso da palavra. O que fala primeiro é o jovem Ankër, filho mais jovem do Rei dos daneses. Ele pede ajuda para uma expedição contra os eslavos e francos que ocupam a região ao norte do rio Elba.
Ante o ceticismo demonstrado por Ykoll quanto a uma expedição em pleno inverno, o Rei Gudrod argumenta que o ataque terá a vantagem de ser inteiramente inesperado e mudará a sorte dos daneses em sua luta contra os francos. Além disso, os bravos que participarem da expedição receberão a justa parte nos tesouros conquistados.

A EXPEDIÇÃO
Atendendo o apelo do Rei Gudrod, Ykoll e Bakar partem com quatrocentos guerreiros, atravessando as águas agitadas do mar Báltico em pleno inverno, numa viagem difícil, que durou quatro semanas e percorreu todo o litoral oriental da empobrecida península danesa.
Após chegar ao porto fortificado de Hedeby, onde se inicia o Dannevirke, as forças de nossos heróis se reuniram ao exército de inverno de Gudrod e, após uma noite de descanso, partiram ainda na escuridão rumo a um vilarejo, cerca de um dia de viagem ao sul, onde batedores deram conta da presença do acantonamento de uma numerosa força eslava.
Durante a marcha, um sol fraco mostrou sua face por algumas horas, sem chegar a aquecer a terra. Fez-se noite muito cedo e, em meio a uma chuva fina e gelada, os atacantes alcançaram as cercanias do povoado.

ATAQUE AO VILAREJO
Destacadas as sentinelas e preparado o acampamento, os vikings descansaram. Bem antes do raiar do dia avançaram cautelosamente. Ykoll e Bakar contornaram a estacada que protegia a frente do vilarejo e ordens foram dadas para que os arqueiros alvejassem as sentinelas inimigas que se encontravam distraídas junto a várias fogueiras em torno da povoação. Gudrod contornou o lugarejo pela direita, com setecentos e cinquenta homens, enquanto Fahair, seu primogênito, acompanhado de Ankër, contornavam pelo lado esquerdo com o mesmo número de soldados. Atair, segundo filho do Rei, permaneceu no alto da colina em que montaram o acampamento comandando a retaguarda com quatrocentos escudos.
Adentrando o vilarejo quase sem encontrar resistência, qual não foi a surpresa de Ykoll e Bakar ao constatar que o mesmo fora abandonado há dias, estando as tendas e outros arranjos ali apenas a dar a aparência da presença de uma força numerosa.
De todo modo, uma dezena de prisioneiros foi feita e outro tanto foi ferido ou morto.

TRAIÇÃO
Ao alvorecer, chegaram notícias de dois soldados daneses que haviam se perdido durante a noite e morrido de frio. Ao examinar melhor os corpos, Bakar constatou que um deles, um sentinela, fora na verdade morto com um golpe de punhal pelas costas.
Naquele momento, soaram mais ao sul uma grande quantidade de trombetas e, do outro lado do vale, assomaram ao topo da colina as forças eslavas, com seus estandartes alaranjados ostentando uma agourenta ave negra.
Na verdade, essa é a bandeira do Sacro Império, séc. XIV  :o)
OS ESLAVOS
Ykoll mandou seus homens formarem no topo da colina, enquanto mensageiros corriam para se comunicar com os flancos e a retaguarda.
Bakar partiu para examinar melhor as forças inimigas, enquanto Ankër e Fahair discutiam sobre o que fazer.
Ao contrário do esperado, os inimigos não avançaram, permanecendo em formação do topo da colina oposta ao vilarejo, soando trombetas, batendo nos escudos e agitando estandartes.
Sozinho, Ykoll andou na direção da linha adversária. Dois cavaleiros vieram ao seu encontro para para os acertos de praxe. Nenhum dos lados mostrou-se disposto a retirar-se.
Formados, os vikings aguardavam a ordem de ataque, impacientes. Do outro lado, os adversários seguiam entoando canções e agitando suas flâmulas.
À essa altura, Bakar se posicionara no topo da colina, atrás da linha de Ykoll, e da lá conjurava os elementos.

YKOLL ATACA
Ykoll decidiu atacar. Com três fortes pancadas nos escudos, a linha avançou. Andando, não correndo. Com os escudos bem alinhados e atentos às setas que não tardaram a partir do alto da colina à frente.
Nesse meio tempo, do lado esquerdo, Ankër percebeu um grande número de adversários deixar a sombra dos bosques e avançar em linha. Fahair o desafiou a demonstrar suas habilidades de comando, ao que o jovem correu a organizar a defesa. Os adversários dispararam suas bestas algumas vezes, sem causar danos, e avançaram.
Enquanto isso, os homens de Ykoll desceram para o vale e o atravessaram, parando e protegendo-se a cada saraivada. Quando se aproximaram o suficiente, os arqueiros tentaram disparar, mas perceberam consternados que, após semanas guardados e após um dia de caminhada sob a chuva e sob a neve, seus arcos não estavam em condição de uso.

O FEITICEIRO E O DIPLOMATA
Nesse momento, ouviu-se o grito do feiticeiro em todo o vale e um luminoso raio fendeu o espaço da terra aos céus, derrubando duas dúzias de guerreiros eslavos.
Do lado esquerdo, ao notar o movimento do inimigo, Ankër gritou algumas palavras na língua franca, e avançou sozinho na direção da linha adversária. Os eslavos detiveram seu avanço e um cavaleiro veio ter com o príncipe danês. O nome do cavaleiro era Jean d'Aspremont. Numa conversa curta e tensa, Ankër tentou persuadi-lo a deter seu ataque e convencer os eslavos a se retirarem. Mas Jean lhe informou que as forças que ali estavam eram numerosas e que as ordens eram para aproveitar a oportunidade e causar o maior dano possível às forças dinamarquesas.

A CARGA
Ao mesmo tempo, chegava a notícia de que as forças de Gudrod, à direita, estavam já engajadas em combate com numerosa força inimiga.
Ao centro, as forças de Ykoll, apesar do malogro com os arcos, continuaram caminhando e subiram a suave encosta no alto da qual aguardavam os adversários. Quando chegaram à distância de carga, partiram para cima da linha adversária com um grande grito, ao que os eslavos responderam descendo a colina com ímpeto. Os dois grupos se chocaram com violência, mas nenhuma das formações se desfez. Os eslavos usavam a inclinação do terreno a seu favor e começaram a levar vantagem no combate.

WODKOVIC
Ykoll avançou alguns passos em relação à sua linha e duelou contra três eslavos. Nosso herói lutou bem mas foi ferido e teve seu escudo arrancado por um soldado eslavo. Aqueles que estavam próximos saudaram o feito de seu companheiro, bradando o seu nome: Wodkowic.
Sem sucesso ao negociar, Ankër retornou à sua linha e determinou que todos se preparassem. Em seguida, as forças adversárias fizeram carga sobre eles, que responderam correndo ao seu encontro. O choque foi grande, mas as formações não se romperam. Um pouco atrás, nosso herói empunhava o arco e procurava o líder adversário, que a essa altura comandava suas forças semioculto nas fímbrias do bosque.

USANDO O TERRENO
Ouviu-se no campo novamente o brado do feiticeiro e,ao mesmo tempo, outro raio partiu o céu, desta vez atingindo um cavaleiro e sua montaria, que quase caíram por terra.
Percebendo a desvantagem do terreno, Ykoll ordenou que a linha recuasse lentamente, procurando a região plana no fundo do vale. Ele mesmo se integrou à linha e empunhou um machado pequeno.
A refrega continuou sem que as formações se rompessem. Quando o terreno se nivelou, os vikings recuperaram a vantagem e o combate começou a virar. Ferido várias vezes, Wodkowic recuou para a segurança detrás da linha eslava.
Percebendo a oportunidade, a linha central dos vikings continuou recuando lentamente, fazendo os eslavos começarem a subir a encosta, o que acentuou sua desvantagem. A vitória se aproximava.

A SEGUNDA VAGA
No flaco esquerdo, a linha comandada por Ankër sustentava sua posição com relativa facilidade, enquanto o jovem comandante alvejava o líder adversário com sucessivas setas. No entanto, nenhuma delas chegou a penetrar a brilhante armadura do cavaleiro francês. Buscando uma posição mais elevada para disparar, Ankër ordenou que dois soldados o sustentassem sobre seus escudos. Ao subir ele percebeu a aproximação de uma segunda força eslava, tão numerosa quanto a primeira, que saia lentamente do bosque e avançava para entrar em combate.
No centro, os eslavos perceberam que estavam em desvantagem e, ao soar de uma trombeta, começaram a recuar lentamente para o fundo do vale. Ykoll ordenou a seus homens que mantivessem o combate, detendo-os apenas quando as forças inimigas atingiram terreno superior.
À esquerda, as forças de Ankër, já engajadas, receberam a carga da nova força adversária. Apesar do choque e mesmo estando inferiorizados em quase dois para um, a linha danesa não cedeu. Ankër disparava contra o cavaleiro d'Aspremont, mas suas setas eram desviadas por seu escudo ou resvalavam em sua armadura.

OS FRANCOS
Novo brado se ouviu em todo o vale, e um segundo raio atingiu o mesmo cavaleiro. Sua montaria chegou a ceder em uma das patas, mas sustentada pelo valoroso cavaleiro, ergueu-se. Persignando-se, ele ergueu seu estandarte e o agitou vigorosamente.
Nesse momento, Ykoll viu se iluminar o alto da colina por trás da linha adversária e assomar no seu topo as flâmulas azuis com a lis dourada ao centro. Os escudos grandes, os elmos cintilantes e as brilhantes cotas de malha identificavam as forças francesas. Seus besteiros se ajoelharam e apontaram para as forças vikings no fundo do vale. Acima dos altos escudos, assomavas os vultos ameaçadores de uma centena de alabardas.

O DESTINO DE GUDROD
Simultaneamente, chegou a notícia de que as forças de Gudrod, à direita, após sofrer grandes baixas, estavam recuando para a proteção do vilarejo. A linha dos valentes daneses não se rompera, mas resistia ao ímpeto de inimigos que agora os excediam em quase quatro para um.
O feiticeiro brandiu seu cajado e um possante raio atingiu o topo da colina onde estavam posicionados os soldados de Carlos Magno, uma vintena de soldados foi derrubada.

ROLANDO
Naquele momento, Bakar percebeu, um cavaleiro descer a encosta do lado oposto, saindo da esquerda da linha francesa e cruzando a encosta em diagonal. Em seu escudo, uma ave negra de duas cabeças encimada por uma coroa. Em seu estandarte, a flor de lis em campo azul. Ao atingir a linha viking, comandada por Ykoll, o ataque do cavaleiro feriu e arrancou o escudo de um guerreiro e fez faiscar os escudos de vários ao seu lado. Volteando com sua montaria, o cavaleiro recebeu passagem na linha eslava, afastou-se e preparou-se para investir novamente, enquanto os soldados franceses no topo da colina repetiam seu nome: "Rolando! Rolando!".


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