Vikings - O fim da aldeia de cima - Prelúdio da sessão de 18/12/2011

Era uma noite escura, lá fora, todas as tochas haviam sido apagadas e a própria lua estava oculta por pesadas nuvens. O vento assobiava lúgubre por entre casas e árvores na aldeia aparentemente deserta, levantando folhas, ganhando velocidade, mas ao mesmo tempo pesado e saturado de umidade.

Nuvens escuras engolfaram a lua cheia
 No meio do salão de banquetes, sobre uma das mesas, jazia o cadáver de uma jovem com o pescoço estraçalhado. De vez em quando,  ouvia-se o ranger dos passos cautelosos dos homens que haviam subido ao telhado pela abertura por onde ainda escapavam os vapores dos caldeirões do que teria sido o banquete de uma noite festiva.

Pairava em meio às lufadas uma sensação de pesadelo e, no salão de portas e janelas trancadas, o ar estava quente e estagnado com as respirações pausadas e os suspiros de quase meia centena de pessoas, a metade delas ainda jovens demais para compreender o que acontecia, mas não tanto a ponto de cerrar os grandes olhos molhados e ignorar a moça sem vida e o sangue que pingava da mesa e se espalhava lentamente no chão.

Não havia choro nem gemidos, o silêncio tenso só era cortado por algum soluço incontido, pelo ranger do telhado e pelo murmúrio crescente do vento, que ora sussurrava junto às paredes, ora se afastava farfalhando para então retornar com violência pressionando as travas das janelas.

Enquanto tochas eram preparadas e os escudos, machados e lanças guardados no armorial eram distribuídos, o velho Leif começou a murmurar entre dentes lembranças de seu último encontro com os metamorfos. Há dez anos, as insidiosas criaturas aproveitaram-se de uma menina que se havia aventurado além da ponte na ravina oriental. Dada por perdida, ela foi encontrada depois de dias de busca, ilesa, e devolvida à sua família.

Aliviados, os moradores da aldeia retornaram à sua faina diária, no entanto, havia algo diferente acontecendo. A menina e sua família tornaram-se esquivos e arredios, depois, também seus vizinhos e, em seguida, também os vizinhos de seus vizinhos, até o ponto em que o altar deixou de ser frequentado, os campos foram abandonados e o mato começou a tomar de conta dos caminhos e da frente das casas.

Um ar de abandono tomou conta da aldeia
Taciturnos, os moradores da aldeia só saiam de suas casas à noite e muitos passavam dias, às vezes semanas, na floresta. O conselho da aldeia esvaziou-se e Leif passou a frequentar sozinho a casa comunal. Nas aulas e exercícios matinais restaram duas dúzias de crianças, que só a custo aceitavam retornar para a casa de seus pais. A vida da aldeia parecia ter se restringido à solitária casa do viúvo e à rotina de um número a cada semana menor de meninos e meninas.

Em meio a essa desolação, diante da indiferença dos moradores da aldeia, Leif, como quem tenta despertar de um sonho, tomou uma resolução desesperada. Em uma manhã de adestramento, trancou-se na casa comunal com as crianças e enviou os cinco mais velhos para pedir ajuda na aldeia de baixo.

Eles desceram o rio e foram seguidos por terra. Quando chegaram a seu destino foram recebidos por Wolfganger e, enquanto contavam sua história, aquele que os seguia revelou-se de modo inesperado, em um ataque direto. Parecia ser um dos homens da aldeia de cima, enlouquecido, cuja aproximação foi denunciada por um gato preto da aldeia, que, como se quisesse enfrentá-lo, se eriçava inteiro.

O atacante correu direto para o grupo
 Após sofrer vários golpes, o agressor tentou fugir por onde viera, mas, após correr algumas dezenas de metros, quando descia a encosta da ravina ocidental da aldeia, foi atingido por um impetuoso – e imprudente – menino, chamado Ikol, vindo a cair no fundo da depressão, em meio às pedras e à lama. Outro garoto, Bohr, os seguira de perto, armado com um pedaço de madeira, e tentava golpear sempre que se apresentava uma oportunidade. No alto da ravina, aldeões armados com arcos praguejavam contra os meninos que lhes tiravam a linha de disparo, enquanto outros com machados desciam a encosta tentando chegar antes que o guerreiro conseguisse se levantar.

Foi então que o homem urrou e ergueu-se em toda a sua altura, assumindo a forma de um ser monstruoso, de pele arroxeada e veias saltadas, que mais que dobrava a altura dos garotos que tentavam enfrentá-lo. Sangrando com os golpes sofridos e flechas que o haviam atingido, a critura deu um grande salto rumo ao outro lado da ravina e teria fugido, não fosse o afortunado disparo de outra criança, Maruk, que com seu arco curto lançou uma flecha que veio a cravar-se na parte posterior da cabeça do monstro, junto à base do crânio.

Quando a ajuda chegou à Aldeia de Cima, foram encontradas apenas casas e oficinas vazias e, só a muito custo, conseguiram convencer Leif e as demais crianças a abrir as portas da casa comunal.

Tudo estava abandonado.
A história teve o efeito de aliviar por instantes a tensão no ambiente e alguns até se atreveram a esboçar um sorriso, mas isso só durou até que encontrassem entre os circundantes os olhos vazios da jovem morta, de cujo corpo desconjuntado parecia transpirar uma nuvem de medo e desespero.

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