Vikings - sessão de 18/01/2012 - autor: R. Raposo


COMBATE AO LUAR

O dia havia sido tenso com as discussões no conselho da aldeia. Com o cair da noite, as pessoas livres procuraram se recolher para descansar ou dedicar-se a seus afazeres, mas nem todos. Alguns de espírito mais inquieto haviam procurado a tranquilidade das matas ao redor da vila em busca de paz e, quiçá, de alguma lebre.
Ykoll estava simplesmente vagando pela aldeia, tentando perceber o que mudara, com uma sensação de desagrado, de insatisfação. Parecia-lhe que as coisas não tinham saído como ele esperava. Sua esposa era leal e dedicada, mas não era a mulher poderosa e fértil que ele julgava merecer. Sua reputação como guerreiro estava estabelecida, mas isso não parecia o suficiente para fazer prevalecer sua voz na assembleia. Parecia que tudo lhe estava entre as mãos, apenas para esvair-se entre seus dedos. Não queria voltar pra casa, não queria ir para as matas, não podia ir para a casa de ninguém e parecia que os olhares curiosos das mulheres o seguiam, querendo saber o que ele faria a seguir.
De súbito, seus devaneios foram interrompidos por Bakar, que de lança em punho, corria na direção da morada da velha Úlrica  e pedia que o acompanhasse. Pressentindo o sabor da aventura, o guerreiro abriu um sorriso feroz: "Afinal, algo que eu posso enfrentar!"
Correram os dois, enquanto Bakar tentava explicar, meio esbaforido, o que estava acontecendo. "Um dos marcos da aldeia está ameaçado. Estamos sofrendo algum tipo de ataque."
Entraram no mato por trás da casa de Úlrica, sempre correndo, de alguma forma, o jovem bruxo sabia exatamente para onde correr e onde pisar no terreno acidentado. Estacaram na altura de um dos marcos gravados com runas que cercavam a aldeia. A magia ali era poderosa e até mesmo Ykoll podia sentir a estranha energia que impregnava o ar. Como quem ousa dar um passo arriscado, eles cruzaram o marco, sentindo simultaneamente que o ar se tornava mais fino e mais frio. A noite estava escura e a lua, que apenas iniciara sua subida, ainda estava oculta entre as árvores e as nuvens.
Nossos heróis avistaram algo diferente a cerca de quarenta passos e para lá se dirigiram. Quando se aproximaram, Bakar percebeu que havia alguma magia insidiosa e maligna em ação, que paralisava seus passos e toldava seus sentidos. Olhando para trás, viu que Ykoll estava parado, com o ar de quem não conseguia se decidir a dar o próximo passo. Conjurando então velhas palavras e alguns gestos de poder, o jovem bruxo conseguiu arrancá-lo daquele estado de estase. Quando chegaram perto do objeto, viram tratar-se de um pequeno animal com os ossos quebrados e a boca cheia de fezes, sementes e folhas.
Nesse mesmo instante, flechas voaram na direção deles, atingindo os troncos de árvore a sua volta. Sem dizer palavra, Ykoll lançou-se na direção de onde vinham as flechas, o escudo à sua frente, a espada desembainhada. Bakar o acompanhava de lança em punho.
O guerreiro deixou seu companheiro para traz com uma forte arrancada e, para surpresa do arqueiro, que se julgava em posição segura, o atacou quebrando seu arco, cortando seu tórax e o ferindo na coxa, numa sucessão assustadora de golpes. O outro arqueiro recuou, buscando as pastagens alguns metros além.
A criatura travava uma luta desesperada com Ykoll, novamente atingida no tórax nos braços que erguia para atacar e defender-se, até que, sobrepujada, caiu no chão enquanto seu algoz sussurrava: "Chame seus irmãos, ou serás morto agora". Intimidada, a criatura gritou algo em sua língua, após o que quatro arqueiros se revelaram mais atrás e traiçoeiramente dispararam. Ykoll foi atingido de raspão na coxa e uma de suas costelas recebeu outra flecha. Os adversários se postavam em um grande arco, espalhados no pasto à frente.
Percebendo a situação, Ykoll se lançou sobre o arqueiro mais à esquerda, enquanto flechas caiam a sua volta. Na retaguarda, Bakar tentava alcançar o outro arqueiro, que recuava buscando um lugar junto a seus companheiros mais atrás.
A noite ainda estava muito escura e isso atrasava a perseguição, mesmo em movimento, os jovens percebiam o grande risco que corriam, pois podiam ouvir as flechas sibilando muito próximas deles.
Foi quando, de súbito, sua coragem foi premiada, o vento rodopiou entre as árvores e no céu as nuvens se esfiaparam e a lua se revelou, enorme, em sua plenitude. Finalmente, Ykoll tinha um alvo claro a perseguir e, muito cedo, estava golpeando mais um arqueiro. Este deixou cair o arco e tentou arrancar o escudo e a espada das mãos de Ykoll, mas acabou tendo sua mão e antebraço feridos, enquanto com a outra garra tentava agarrar-se ao escudo. Foi então atingido por um disparo efetuado pelos próprios companheiros. Desesperado tentou sair pelo flanco de Ykoll, que o deteve com o escudo, enquanto o golpeava furiosamente, nas pernas, no abdômen, na cabeça.
Nesse ínterim, Bakar desistira de acompanhar o arqueiro que corria em campo aberto, cravara sua lança no adversário caído, prevenindo sua fuga, caso ainda estivesse vivo, e corria o quanto podia para ajudar Ykoll.
Ele pode ver, enquanto corria, que Ykoll impedira a queda de seu oponente, o erguera nos braços e, assim, avançava lentamente rumo aos demais arqueiros, que, já na borda da pastagem, havia assumido nova posição de tiro. Os disparos se sucederam, atingindo o solo próximo a Ykoll e o cadáver que este carregava. O avanço de Ykoll era lento, porém constante, e, nesse momento, Bakar o acompanhava, um pouco atrás e à direita.
Súbito, frustrados em sua tentativa de colher um vitória segura atirando a distância e enfurecidos pela perda de dois companheiros, os quatro arqueiros abandonaram suas armas, pegaram de sua lanças e lançaram-se sobre o petulante guerreiro que ousava usar um dos seus irmãos como escudo e estandarte.
Avançaram gritando em terrível carga, as lanças em riste, os corpos um pouco projetados para frente. Quando o choque era iminente, Ykoll arremessou o pesado cadáver contra o lado esquerdo da formação que avançava, forçando um dos oponentes a interromper sua carga para desvencilhar-se do corpo. Os demais prosseguiram em seu ímpeto, quando Bakar, surgindo à direita de Ykoll, se agachou apoiando sua lança no chão contra a lateral direita da formação em carga, o guerreiro que vinha dquele lado recebeu a lança em cheio no ventre e foi lançado rumo ao centro da formação, empurrando um dos guerreiros que visava Ykoll. Este, já girava em torno de si, desviando com seu escudo as pontas afiadas que o visavam enquanto, na volta do giro, sua espada varria violentamente a formação dos combatentes inimigos, cortando a cabeça daquele que acabara de desvencilhar-se do cadáver lançado, cortando profundamente o peito de um segundo, quebrando alguns ossos de sua caixa torácica e rasgando as coxas do terceiro, que caiu ao chão agora sem poder conter o peso do companheiro empalado por Bakar.
Nesse momento, o combate transformou-se em um massacre, sem que as criaturas conseguissem esboçar outra reação, que não erguer as mãos para tentar agarrar as armas em desespero, enquanto Ykoll partia suas cabeças e ombros em golpes violentos e Bakar volteava com sua lança para cravá-la ao final na garganta de seu oponente.

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