Vikings - sessão de 21/1/2012 - por R. Raposo
AMEAÇA EM UMA NOITE DE TEMPESTADE
Naquela noite, após as discussões no conselho, várias pessoas haviam deixado a aldeia. Ykoll e Bakar lembraram disso assim que terminaram de liquidar seus oponentes, voltaram rápido e procuraram saber quem tinha saído e que rumo tinha tomado.
Logo souberam que Maruk e Bohr tomaram a ravina que costeava o campo dos lenhadores. Wolfganger e Torquil seguiram acompanhando a ravina que passava próxima ao altar de Freya. Andreas saíra em busca de um cordeiro que escapara do cercado e tomara o rumo da pastagem de verão a leste.
"Vamos atrás de meu pai, que está sozinho", sugeriu Bakar.
Tomaram então a direção do pasto, que se abria cerca de quinhentos passos depois do altar. Andaram depressa e, antes que a clareira se abrisse ante seus olhos, ouviram gritos de Andreas. Adiantaram-se a tempo de vê-lo de pé, no meio do campo, rodeado por flechas que se cravavam no chão, com mais uma enterrada em seu escudo e outra na coxa direita.
Acuado, ele girava em torno de si, tentando olhar em todas as direções e antever os projeteis mortais. Sem perceber que Andreas estava cercado, Ykoll lançou-se em sua direção correndo tanto quanto podia. A lua que até a pouco lhes fora companheira de batalha, era a todo momento oculta por pesadas nuvens, que começava a adensar-se, prenunciando uma escura noite de tempestade.
Percebendo o perigo ao qual se expunha o companheiro, Bakar ergueu sua lança, descrevendo pequenos círculos no ar com sua ponta, enquanto repetia as palavras de um encanto. Simultaneamente, as nuvens pareceram mover-se no céu, impelidas por uma invisível força, enquanto a ventania serenava e o ar a sua volta se aquecia gradativamente.
À frente de Ykoll, o luar iluminou o campo, permitindo que este visse Andreas, que volteava com seu escudo, mas sem conseguir evitar ser atingido novamente por trás do ombro direito e um pouco abaixo da axila esquerda.
Furioso, o guerreiro testemunhou a queda do pastor, que parecia ter sido gravemente ferido. Ao chegar até ele, notou que o mesmo permanecia consciente e que se cobria com o escudo, o chão a sua volta empapava-se com seu sangue, mas a sua disposição para lutar ainda não desaparecera.
Com a lua novamente a seu favor, Bakar distinguiu um arqueiro inimigo uns cinquenta metros a sua frente à esquerda, e correu em sua direção, tentando surpreendê-lo. Ao iniciar a corrida, entretanto, sua concentração se enfraqueceu a as nuvens escuras retomaram sua marcha para cobrir a lua. Isso o obrigou a deter sua marcha para recuperar o controle sobre os elementos.
Enquanto isso,Ykoll, olhando a sua volta, distinguiu num relance quatro oponentes, um a sua esquerda, distante cerca de cento e cinquenta metros, outro a sua direita, só um pouco mais perto, e dois postados na lateral do campo, entre os quais devia ter passado sem percebê-los.
(continua)
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