A história de Ilberic Tuck - Primeira Parte


Eu era ainda um hobbit muito pequenino quando meus pais se mudaram para uma toca que teria pertencido ao famoso jardineiro Samwise Gamgi, cuja caixinha de terra ainda pode ser vista na Casa de Guardados da Vila.
As lendas daquela vizinhança foram o grande entretenimento de minha infância e, afortunadamente, encontrei uma cópia do Livro Vermelho do Marco Ocidental na pequena biblioteca que ocupava uma sala na parte de cima da casa do Condestável. Na parte de baixo ficava a nossa escola e a senhora Margarida, nossa professora, nos incentivava sempre a conhecer a história das famílias ilustres do Condado.
Naquela época, contava-se à boca pequena que Adalgrim Gamgi, o melhor jardineiro da vila, ainda tinha alguns grãos da terra presenteada pelos elfos ao seu famoso ancestral. Adalgrim era um pouco menor que a média, era calado e um pouco sério quando estava sóbrio. Mas entre amigos e fumando um cachimbo logo se animava a abrir um sorriso e contar as histórias de suas flores e queridas árvores.
Talvez por conta de morar numa toca tão famosa, onde as paredes sussurravam histórias, ou por ter encontrado o Livro Vermelho e um legítimo descendente de seus personagens, eu decidi desde cedo que também seria um grande jardineiro e que iria ajudar a cuidar com carinho da terra em que morávamos.
Meus pais, que se chamavam Will e Camélia, gostavam de fazer bolos e possuíam uma velha receita de cerveja temperada com raízes que era muito apreciada na taverna do velho Brego Pés-Soberbos. Meu irmão mais velho, Paladin, queria tornar-se mestre cervejeiro, mas era jovem e a cerveja que fazia ainda não sobrava para poder ser vendida.
Vez por outra Brego e Paladin discutiam sobre ir até Bree, tentar fazer amizade com alguns comerciantes humanos e trocar um pouco de nossa cerveja pela deles. Essas conversas iam muito longe, mas os pés deles se moviam muito pouco.
Como eu ainda era muito jovem para pensar em aventuras e viagens, passava algum tempo passeando pela Vila e gostava de observar as velhas árvores e o trabalho de Adalgrim. Às vezes, ele até deixava eu remexer a terra e colocar algumas sementes. Quem também ajudava era o filho de Adalgrim, Rufus, que acabou se tornando meu melhor amigo.
Crescemos juntos, juntos aprendemos a cuidar da terra e juntos nos interessamos por duas irmãs, Pétala e Dora, das quais nos escondíamos sempre que chegavam perto. Elas eram muito alegres e sorridentes e adoravam ficar à sombra do carvalho perto da escola, costurando e bordando.
Estimulado pelas aventuras que lia, de vez em quando convidava Rufus para irmos até os limites da Vila em busca de espécies diferentes para colocar nos canteiros de nossas casas e da escola. Quando encontrávamos uma flor diferente e bonita acordávamos bem cedinho para plantá-la sob as janelas de Pétala e Dora sem que elas percebessem.
(continua).

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