A história de Ilberic Tuck - Terceira parte


Hobbiton era a maior vila do Condado, eu já ouvira falar dela, diziam que tinha mais de cem tocas, uma praça com poços, um mercado, estalagens e tavernas. Havia lá duas oficinas famosas, que vendiam móveis bem torneados e ferramentas de corte.
À medida que nos aproximamos, pude ver plantações de fumo, pomares, trigais, alguns celeiros, diversas pocilgas e uma quantidade razoável de apriscos. Quando passávamos por um bosque de bétulas, nos chegou de longe o cheiro forte de um curtume e, logo em seguida, do alto de uma suave elevação, pudemos divisar as casas e tocas, que se estendiam acompanhando as duas margens de um riacho. Dali de cima, duas edificações chamavam a atenção, um moinho movido por uma grande roda d'água, rio acima, à nossa esquerda, e uma torre de pedra, meio arruinada, que se erguia sobre uma colina do outro lado da vila.
Meu avô Baldo me espiava com o canto dos olhos, atento às minhas reações, minha avó Tília seguia na beira da estrada, enchendo um cesto com flores silvestres. Meus tios Bill e Flora sorriam e conversavam, lembrando de outras visitas a Hobbiton e nos apresentando um pouco das redondezas à medida que avançávamos. Diferente do habitual, meu primo Baladrim seguia calado.
Eu e Rufus seguíamos atentos a tudo e estávamos bastante impressionados com as novidades, mas o que nos deixou realmente de boca aberta foi uma figura marcial que saiu da vila montado em um pônei. Os dois avançaram tão rápido quanto o cuidado com os transeuntes permitia e pararam logo à nossa frente, onde uma amendoeira lançava sua sombra sobre a estrada. Ele usava um chapéu verde-escuro com penacho, uma capa da mesma cor e, por cima da túnica branca, um gibão de couro muito bem trabalhado que combinava com as proteções de seus braços e pernas, com suas botas de montar e com a bainha que levava a tiracolo. Os alforjes que pendiam de sua cela pareciam cheios e atrás dela estava enrolada uma lona. Das espáduas do animal pendiam, de um lado, uma aljava, e do outro, um arco. Preparado para uma longa jornada de aventuras, ele parecia ter surgido à nossa frente vindo diretamente das páginas do Livro Vermelho.
Qual não foi a nossa surpresa quando Baladrim o cumprimentou com familiaridade e o cavaleiro apeou para abraçá-lo e se dirigiu para nós. De perto, sua figura era tão impressionante quanto seus trajes, uma fina cicatriz corria de sua orelha esquerda à ponta do queixo, sua capa era atada por um broche de metal gravado em relevo e seus olhos eram vivos e penetrantes. A voz, entretanto, era suave e ele nos abriu um largo sorriso ao apresentar-se. Seu nome era Halfast.
Ele apertou nossas mãos e perguntou nossos nomes. "Ilberic e Rufus!", repetiu ele, como se confirmasse uma expectativa. Em seguida, cumprimentou as demais pessoas em nossa comitiva e partiu.
Ficamos intrigados ao ver um hobbit naqueles trajes, mas ninguém parecia disposto a comentar o assunto. Logo ao entrar na vila, nos instalamos em uma taverna para jantar e Baladrim abriu um bilhete. Ele nos pediu licença e saiu, sem dizer para onde ia. Influenciados pelo clima de mistério que rondava o dia, eu e Rufus tratamos de segui-lo. Nossa curiosidade apenas aumentou quando o vimos sair da vila e caminhar em direção à velha torre, na qual entrou. Nós o teríamos acompanhado, não fossem uns cães terem começado a latir e rosnar para nós, diante do que fomos obrigados a correr de volta para a estalagem.
Passamos mais alguns dias em Hobbiton, nos recompondo da viagem, adquirindo novas provisões e comprando alguns presentes. Nada de novo ocorreu e ficamos sem jeito de perguntar a meu primo o que ele fora fazer naquela noite, além disso, chegou o dia da feira e houve movimento, festas e dança na cidade. Baladrim voltou ao seu humor habitual e só voltamos a pensar sobre nossa aventura noturna na estrada, a caminho de Buqueburgo.

(continua).

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Vikings - Como atacavam? - Enviado por Salomão

Vikings - O panteão nórdico - Enviado por Salomão

Qual é o número ideal de jogadores para uma campanha?