A história de Ilberic Tuck - Segunda Parte
Quando adentrei a vintolescência meus pais fizeram uma bela festa na taverna do velho Brego. Havia faixas coloridas na paredes, bolos sobre as mesas e dois barris cheinhos de nossa cerveja com raízes.
Meus avós paternos, Baldo e Tília, vieram de Buqueburgo especialmente para a comemoração e com eles vieram meu tio Bill e sua esposa, tia Flora. O convidado que eu aguardava com mais ansiedade era meu primo Baladrim, que eu havia visto apenas na infância, mas que soubera haver se tornado um talentoso cantor e contador de histórias. Ele seria a grande atração da festa.
Também foram convidados o Condestável Aldarim e sua esposa Rosa, pais das adoráveis Pétala e Dora. Não podiam faltar nosso amigos Adalgrim, sua esposa Narcisa e meu querido amigo Rufus. Chamamos também vários hobbits distintos da Vila dos Hobbits.
Foi um encontro muito animado e todos comeram e beberam até ficar satisfeitos, depois, Baladrim contou a história do mago que falava com os animais e a história do elfo que morava em uma árvore que andava. Em seguida, ele cantou uma canção nostálgica sobre a infância e, para finalizar, fez todos baterem com as palmas das mãos nos joelhos para marcar o ritmo da dança, acompanhada de uma canção entremeada de brincadeiras com todos os convidados. Quem não dançava, cantava e batia nos joelhos e todos tomavam de suas canecas em largos goles.
Apesar de toda essa animação, eu e Rufus conseguimos manter uma saudável distância de Pétala e Dora, que tiveram que contentar-se em dançar com nossos pais. Não pude entretanto fugir quando elas vieram me cumprimentar e fiquei completamente tonto quando me abraçaram e fiquei envolvido por aquele suave perfume de jasmim que elas deixavam por onde passavam.
Meus parentes ainda ficaram conosco por duas semanas e acabaram por convencer a mim e a Rufus que dois grandes jardineiros como nós não podiam deixar de conhecer os jardins de Buqueburgo, de forma que, quando chegou o dia deles regressarem, nós nos juntamos a eles para enfrentar a nossa primeira grande aventura no Condado.
Baladrim já era bastante viajado e propôs que aproveitássemos o bom tempo para ir até o Brandevin e seguir parte do caminho margeando suas águas calmas e, quem sabe, pegar umas trutas e fazer um piquenique à sombra.
Assim foi feito, viajávamos devagar, conversando e fazendo frequentes pausas para descansar e comer alguns dos quitutes preparados para a jornada.
Percebi intrigado como a cor da terra, a variedade da grama e a disposição das árvores era diferente da que estávamos acostumados. Meu avô Baldo fizera aquela mesma viagem muitas vezes em sua juventude e nos ensinou a conhecer as direções pela posição do sol e da lua e pelo lado das árvores onde o musgo crescia. Ele nos mostrou os rastros de pequenos animais e, durante a noite, armava pequenos laços e armadilhas que, quase sempre, acrescentavam alguma carne fresca às refeições do dia seguinte.
Às margens do rio, nos encontramos com dois seres maravilhosos. Eram elfos que haviam cruzado o rio e seguiam para a costa, chamavam-se Belegon e Carmenel e passaram uma tarde e uma noite conosco, cantando em sua língua e perguntando sobre as histórias de nosso povo. Eles prometeram visitar a Vila dos Hobbits e Buqueburgo quando regressassem do litoral.
Afastamo-nos do Brandevin na altura da ponte onde começa a estrada que leva a Bree e seguimos no rumo oposto, na direção de Hobbiton. Essa foi uma outra surpresa excitante que nos fazia Baladrim, pois teríamos a chance de conhecer a maior vila do Condado.
(continua).
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