A fada, a invasão dos metamorfos e a morte de Skral ou Como Borh se tornou rei - PRÓLOGO DA SESSÃO DE 29/7 - Por R. Raposo
De pé no píer da aldeia de cima, Ykoll observa pequenos grupos descerem as encostas escarpadas e começarem a cruzar o rio da névoa. Perturbadoramente, passam por ele repetidas vezes os rostos dos poucos homens que ainda habitam aquele povoado. A mesma cena se repete, eles chegam até a beira do rio, retiram elmos, couraças e espadas e atravessam com seu equipamento sobre os escudos, acima de suas cabeças.
Na manhã do dia seguinte, reunida a assembleia, Varna pede permissão para falar e diz: "O velho Leif está em nossa casa, ele está muito mal e temo que seu espírito deixe seu corpo. Ordenem ao demônio que vocês acolheram que o cure".
Após algum tempo, Bohr desce o caminho até ele, acompanhado por um guerreiro de túnica branca que assumiu as feições do velho Leif, no alto do barranco, ao se despedir, ele adverte: "Se vocês tentarem qualquer coisa contra nós, mataremos todos os prisioneiros. Se encontrarmos o que procuramos, deixaremos todos vivos, e a prata será sua".
Enquanto se afastam lentamente no barco, deixando a corrente os conduzir, nossos heróis se entreolham e Borh murmura: "Eles vão para as terras de Vigeland, vão levar pelo menos duas semanas para chegar até lá".
De volta, os emissários contam aos demais que as mulheres e crianças da aldeia de cima estão amarradas e reféns na casa comunal daquela aldeia. Pelo movimento dos indivíduos que cruzaram o rio, Bohr e Ykoll estimam que pelo menos oitenta criaturas ficaram para trás, sem contar as que estão guarnecendo os três postos de vigia ao longo do rio.
Ao regressar das matas, Maruk traz outras notícias: "A floresta entre as duas aldeias está cheia de vestígios das criaturas. Avistei duas patrulhas armadas de arcos nas imediações de nossa aldeia, mas consegui evitá-las. Estamos sendo vigiados."
Na manhã do dia seguinte, reunida a assembleia, Varna pede permissão para falar e diz: "O velho Leif está em nossa casa, ele está muito mal e temo que seu espírito deixe seu corpo. Ordenem ao demônio que vocês acolheram que o cure".
"Que história de demônio é essa, mulher? Enlouqueceste?" - repreende Ykoll, ao que Varna retruca: "Desculpe, senhor. São os escravos que a chamam assim. Além disso, ela se negou a tratar o pequeno Ykoll de sua doença. Seja o que for, ela trouxe consigo a maldição para esta aldeia e está escondida na casa da bruxa. O velho Harry O'Sheare disse que deveríamos queimá-la antes que a desgraça se abata sobre nós".
Pedindo calma, Yorick dirige-se ao grupo: "Esquece-te, mulher, que Úlrica é nossa avó? Ouves demais um velho escravo demente, o melhor é que ordenes a esse caduco O'Sheare que procure ser útil e cuide de Leif".
Enquanto Varna se retira, Yorick prossegue: "Parece que o finado Skrall subestimou as forças de que dispõem nossos inimigos das cavernas do lago. Agora que ele morreu, seus ardis começam a revelar-se. Estamos nos deparando com um grupo maior e mais hábil do que imaginávamos".
Nesse mesmo instante, gritos de alerta interrompem a assembleia. Ao sair da sala comunal, os olhos incrédulos dos habitantes da aldeia de baixo testemunham, no barranco do outro lado do rio da névoa, um soldado cravar no solo uma comprida lança, na ponta da qual tremula um estandarte de couro muito fino, no qual se pode ver três triângulos acima de um semi-círculo.
É Loth quem rompe o silêncio, com o machado em punho e um sorriso feroz nos lábios: "Eles estão aqui".
De repente, não mais que de repente...
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