O caçador - Por E. Val
Lá estavam novamente eles em
seu posto de vigília, Maruk, Ikol e Bohr. Ao menos no ponto de vigia eles não
atrapalhavam com seu constante barulho, pensava Maruk. Ele amava seus irmãos, e
sem dúvidas suas habilidades já o haviam salvo algumas vezes, mas o caçador
sempre foi exigente, e ele creditava alguns fracassos em emboscadas aos seus
irmãos de armas, mas aceitava o revés, unidos eles eram mais fortes, desde que
se lembrassem que aquele era o seu lugar, e quanto a isso ele não tinha
queixas. Então interrompendo os pensamentos cíclicos de Maruk eles avistaram.
Bestiais correndo, procurando algo. Incrédulo Maruk avisou aos outros, e para
surpresa deles aquelas não eram as criaturas habituais. Pego em corpo-a-corpo
por um inimigo Maruk sacou de sua arma, e para espanto do caçador, a besta, que
travestia-se com elegantes roupas, segurava sua mão e impedia-o de seguir com a
estocada. O caçador em um arroubo de fúria saltou sobre o inimigo, buscando
prender-lhe ao chão. No final os outros vieram ajudá-lo, e terminaram por fazer
três prisioneiros. Maruk não queria perder muito tempo, desejava informações
sobre os outros bestiais, suas defesas, quantidades. Anos sem vê-los e agora o
caçador ansiava pelo sangue de seus inimigos jurados.
Eles levaram os prisioneiros
à vila. Informações sem sentido foram proferidas pelas assustadas criaturas, as
bestas covardes devoradoras de crianças falavam sobre buscar algo que não era
nosso e que eles desejavam, uma criatura de outro mundo. Maruk só conseguia
pensar em quais pontos ele atiraria as flechas, revisando mentalmente cada
forma de queda do corpo morto das criaturas nojentas. Eles estavam mais
frágeis, pensava o caçador, eles renunciaram sua selvageria inicial, evoluiram
devorando os povos do sul, era a única explicação, mas se tornaram frágeis,
perderam o vigor que tinham e que ganharam devorando as crianças nórdicas. As
crianças, seu ossos largados, roídos, raspados com ferramentas rústicas, seu
sangue seco pela pedra, seu corpo profanado, bruxedos abjetos em seus crânios,
ele tinha de mandar aquelas criaturas para Hel. Sem informações úteis de como
chegar aos outros, Maruk desejava matá-los logo e seguir seus rastros. Era
impossível prendê-los, confirmou o covarde intanguido que se afeiçoara à vila -
Maruk não suportava aquele ser abjeto, nem seu crânio desejava, somente vê-lo
morto era suficiente, mas ele tinha informações, e portanto o caçador
permitira-lhe viver. Então Bohr aceita um acordo com as bestas, seguir com uma
delas para o esconderijo deles e deixar os outros dois de prisioneiros. Sem se
importar com a opinião de Maruk e de Ikol que descordavam veementemente, ele
partiu dando-lhes as costas. Algum tempo depois Maruk falaria com Ikol, e
decididos a resgatar seu irmão, liquidaram as duas bestas 'prisioneiras' e se
puseram a seguir a outra que estava com Bohr.
Os irmãos seguiram a Bohr e a
besta, mas o amaldiçoado Loki pregara-lhes uma peça. Os passos se perdiam na
nascente do rio, onde algumas rochas formavam cavernas abaixo da água. Os
irmãos tentaram por mais de um dia achar o caminho, mas o xiste persistira, e
com muita frustação e inconformismo os irmãos retornaram à vila, rezando a Tor
que seu irmão não fosse devorado e que a óbvia trapaça fosse de fato uma
civilidade adquirida pelas bestas, retornando Bohr a salvo, ou pelo menos que
fosse morto com a arma em punho, para seguir ao Valhala, e não covardemente
como habitual aos seres sombrios. Nenhum dos dois se arrependeu em ter matado
as criaturas, não se negocia com os servos da trapaça sem ser enganado, pensava
Maruk.
Continua...
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