Bohr Rei - Parte II. Por G. Machado
Em dada manhã, dias após Yorick
ter partido para Oslo no intuito de conseguir algo mais palpável para nossas
vilas e, assim, afastar as influências de Vigeland, observamos a movimentação
dos transmorfos nas bordas de nossas terras. Conseguimos conter o movimento dos
mesmos, matamos muitos e capturamos três que viriam a ser identificados como
sendo filhos do líder dos transmorfos.
Aquelas
criaturas procuravam por uma elfa que teria escapado de suas posses, uma de
nossas criaturas divinas, e ofereciam prata por nossa ajuda em recapturar e
devolver o ser, bem como os reféns, ou, em caso de negativa, o risco de invasão
e guerra contra nossas pequenas vilas. Naquela ocasião deixei dois reféns na
minha vila, enquanto parti com um terceiro para tratar com o líder dos
transmorfos, embaixo da terra. Comprometi-me a levar a proposta de tal líder a
Yorick e retornei para minha vila após alguns dias, quando recebi a notícia que
os reféns que havia deixado foram mortos.
A
morte dos reféns foi um contratempo e nada poderia ser feito para remediar
aquela situação e, enquanto aguardávamos o retorno de Yorick, a elfa foi
encontrada e passou a ser hóspede em nossa vila. Neste mesmo espaço de tempo a
vila de cima foi atacada, os moradores aprisionados e o local todo tomado,
quando foi exigido que alguém de nossa vila fosse tratar com os transmorfos
sobre o trato que eu fizera dias antes.
Eu
e meus irmãos fomos para a vila de cima e, antes de partir, mandei que os
restos dos reféns mortos fossem devidamente limpos e colocados em mortalhas. Na
vila de cima observamos como os transmorfos passaram a demonstrar maior
organização e habilidade em uso de armas, armas estranhas até no dia a dia dos
vinkings, pois carregavam armas de francos.
Naquele
dia fui sozinho para dentro da vila mantida refém, enquanto os demais esperavam
na embarcação, observei as defesas e as forças, estimei cerca de 300 guerreiros
que estavam mantendo a vila de cima sob jugo. Os reféns estavam mortos, não havia
como remediar; entregar a elfa não era uma opção, pois só os deuses saberiam
que uso as feras poderiam dar ao poder da mesma; Harald seguia adoentado e
tanto Robert quanto Vigeland estavam mais atentos a disputas pela sucessão que
os problemas de nossas vilas... e eu estava sozinho entre trezentas feras sem
opções para oferecer ou forças para responder a altura... eu precisava de
tempo.
A
fera logo notou as mortalhas e os restos dos seus irmãos, os reféns mortos em
minha vila. Ali ao lado os reféns do vilarejo, amarrados, observavam assustados
o desenrolar de minha negociações e, naquele instante, quando os corpos do
reféns foram trazidos, eu sabia que os reféns daquela vila estavam com seus
dias selados... e minha vila precisava de tempo.
A
fera, a mesma que me escoltara até o líder daqueles seres, foi direta e exigia
explicações e respostas quanto a elfa. Nós, vikings, temos nossos deuses e
cada um ajuda em cada situação e, naquele momento, não sei por qual motivo,
apesar de carregar no peito o martelo de Thor, Loki me inspirou.
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