Bohr Rei - Parte I. Por G. Machado
Verdade seja dita, jamais quis
ser rei apesar de, uma vez, quando jovem, querendo conseguir comprar armas e
desbravar os mares e pilhar terras distantes, vi o desdém de um mercador para
com minha vontade e atitudes. Naquele dia, numa feira, falei mais por bravata
que aquele vendedor se arrependeria quando eu me tornasse um rei.
Os
dias passaram e minha primeira arma não a ganhei das mãos de um mercador,
recebi-a das mãos de Vó Úlrica, um gládio, junto com uma runa, após um desafio
lançado aos jovens de nossa vila. A runa, esta eu dei para minha irmã, para que
a mesma sentisse força e superasse o medo do encontro com Vó Úlrica.
Em
meu primeiro ataque de pilhagem a terras distantes fui armado com o gládio e já
nem me lembro que terras eram aquelas. Lembro-me que naquela ocasião diversas
embarcações competiam para chegar primeiro na enseada do vilarejo que se
pretendia atacar, enquanto eu consegui fazer com que parte da frota, junto com
nossa embarcação, atrasassem um pouco o desembarque para poder achar um ponto
mais seguro na enseada. Tal atraso nos custou a não chegada na praia entre os
primeiros, entre os afoitos, contudo nos rendeu a proteção para que não
sofrêssemos baixas entre as forças que desembarcaram. Naquela manhã, logo no
desembarque, muitos vinkings se perderam com armas em mãos, foram para o
Valhalla e lá ainda nos aguardam, mas foram alvejados por flechas antes mesmo
que suas espadas bebessem do sangue inimigo.
Foi
um cerco difícil, enfrentamos um cavaleiro misterioso, chamado por alguns
escravos cristãos de São Jorge. Mas, quando digo que enfrentamos, quero dizer apenas
eu, Ikol e Bakar. Tal cavaleiro misterioso minou a disposição de luta de nossas
forças, mas, ainda assim, conseguimos alguns ganhos naquele dia e quase tomamos
o último bastião de defesa daquela cidade.
Desde
daquela invasão meu nome passou a ser conhecido por Harald, o rei. Desde aquele
dia, eu e meus irmãos passamos a ser antagonizados por Vigeland, este desejoso
de destronar nosso rei.
Retornamos
para nossas terras com algo da riqueza que se ganhou naquela invasão, o tempo
passou e nossa vila passou a ser alvo de ataque de transmorfos. Foi neste
contexto que nossa vila se aproximou da vila do rio acima e pouco a pouco
começamos a expor as criaturas para os demais vikings.
A
história de como eu me tornei rei começa a se concretizar em tal contexto,
quando Harald, adoentado, começava a preparar terreno para que seu filho Robert
conseguisse apoio entre os vikings para a sua sucessão. A vila de cima vinha
sendo assediada por Vigeland, enquanto nossa vila tentava pedir auxílio para o
aumento de guerreiros em nossas terras, visando fazer frente aos ataques dos
transmorfos.
Comentários
Postar um comentário
Obrigado por comentar, sua opinião é muito bem vinda!